Nossa História

Na década de 1930, um período no qual a gravidez indesejada ou não planejada era mal vista pela sociedade, era comum a exclusão de mães solteiras, de mulheres pobres, mestiças e negras, e o abandono de gestantes dentro desses perfis por suas famílias.

E foi da concepção de que nenhuma parturiente na cidade de São Paulo deveria ficar sem um local adequado para dar à luz que o médico obstetra Álvaro Guimarães Filho, a Madre franciscana Marie Domineuc e o arcebispo de São Paulo da época, Dom José Gaspar D’Affonseca e Silva, fundaram o Amparo Maternal, em 1939.

Com um serviço de atendimento a gestantes em situação de risco e vulnerabilidade social e o lema de “Nunca Recusar Ninguém”, a entidade chegou a ser pejorativamente chamada de Casa da Mãe Solteira, por conta do preconceito que a sociedade tinha com acolhimento de grávidas não casadas, rotuladas de prostitutas.

Dr. Álvaro Guimarães Filho

Madre Marie Domineuc

Dom José Gaspar D'Afonseca e Silva

Em consequência das intolerâncias de uma população de conceitos tradicionais e duros, veículos de comunicação traduziram negativamente o trabalho social iniciado pela instituição, exigindo o fim de seu funcionamento. Entretanto, superadas as primeiras dificuldades, a organização conseguiu, em 1945, votos da Câmara Municipal para a construção das instalações do Amparo Maternal.

Projeto do prefeito Dr. Prestes Maia, a reforma do prédio na diagonal foi pensada em benefício das mulheres que seriam atendidas, construída com face voltada para o nascer do sol, com uma extensa varanda frontal, onde as mães pudessem caminhar com seus recém-nascidos e receber vitaminas provenientes dos raios solares.

Ao longo das décadas de 1950 e 1960, outras barreiras foram enfrentadas pelos administradores da organização como a falta de recursos, atrasos nas obras, ainda o intenso preconceito da população e um custoso incêndio, já em uma fase bem adiantada da construção.

Todavia, em 1964, o governador Dr. Adhemar de Barros usou de sua influência e, finalmente, inaugurou o prédio que, até os dias atuais, é a sede da entidade. A maternidade, desta forma, passou a se desenvolver, realizando, em 1974, cerca de 60 nascimentos por dia.

Na década de 1980, outras conquistas foram alcançadas, como o Centro Cirúrgico, a Área Social, o Departamento de Farmacologia, com o intuito de produzir produtos de limpeza, lavanderia, farmácia e medicamentos, e uma Padaria, para consumo da própria ONG. Já na década de 1990, durante a parceria com a Escola Paulista de Medicina, que durou aproximadamente 10 anos, o Amparo Maternal se solidifica ainda mais como modelo na Saúde ao criar a Unidade Ginecológica, Ambulatório, Cozinha, Unidades de Enfermagem, Escritórios e Recepção, além de receber de doação uma ambulância e três leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) infantil.

Foto da Construção do Amparo Maternal

A fim de ajudar na gestão administrativa do Amparo Maternal, a Associação Congregação de Santa Catarina (ACSC), sem fins lucrativos e atuante nas áreas de Saúde, Ensino e Assistência Social, firma uma parceria com a organização em 2008. No ano seguinte, o então prefeito Gilberto Kassab doa definitivamente o terreno no qual Amparo Maternal se situa à própria instituição, até a ocasião cedido em comodato.

 

Não se esquecendo de sua preocupação com gestantes que não possuem condições de dar à luz com dignidade por não terem moradia, o Alojamento Social do Amparo Maternal, hoje chamado de Centro de Acolhida, cuida de conviventes e seus bebês, que recebem atendimento médico, psicológico e de assistência social durante todo o período de estada na Casa, que pode ser de até 01 ano e 03 meses, ou seja, desde o primeiro mês de gestação da mulher até 06 meses após o parto.

Ao ganhar mais notoriedade de órgãos públicos, nos anos 2000, passa a realizar o teste instantâneo de HIV (Human Immunodeficiency Virus, termo em inglês do Vírus da Imunodeficiência Humana, causador da Acquired Immune Deficiency Syndrome (AIDS), a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, em português) em todas as parturientes atendidas, leva uma filial do 21º Cartório de Saúde para dentro da Casa, para facilitar o registro de bebês nascidos dentro da instituição, cria uma sala para vacinação e propaga, então, a importância do aleitamento materno nos primeiros 180 dias de vida.

Foto da Construção do Amparo Maternal

Atuando, então, nas áreas da Saúde e Assistência Social, o Amparo Maternal tem um compromisso com projetos materno-infantis. Em sua maternidade, os serviços ambulatorial, de obstetrícia, de diagnóstico e neonatologia são totalmente oferecidos às mulheres por meio do convênio com o Sistema Único de Saúde (SUS). Mensalmente, são realizados uma média de 500 partos, sendo cerca de 70% deles normais.

Centro de formação profissional, a organização recebe anualmente estudantes das mais renomadas universidades do país para estágios e residências em Obstetrícia, Neonatologia e Enfermagem, principalmente pelo conceito de valorização do ser humano que sempre foi tratado dentro da entidade.

Mesmo com os repasses do Governo, o Amparo Maternal possui um déficit de cerca de R$ 02 milhões mensais, cobertos pela Associação Congregação de Santa Catarina e por investimentos de empresas parceiras. E, embora a sua missão de continuar existindo seja árdua, oferece-se o melhor à comunidade.

À procura de humanização desde o momento de sua fundação, o Amparo Maternal preocupa-se em dar atenção especial à sua equipe de profissionais, por meio de orientações e oportunidades de crescimento interno, e prioriza o cuidado com suas pacientes e, também, com o de suas famílias, por entender que elas também fazem parte de uma etapa marcante: a do nascimento de uma vida, que mudará suas rotinas e destinos.

Portanto, é o respeito pelas pacientes que conduz as ações do Amparo Maternal e faz com que a instituição sempre busque desenvolver seus profissionais, implantar novas tecnologias, adequar ambientes e aumentar, a cada dia, a qualidade dos serviços oferecidos. É humanizar para melhor atender. É criar vínculos com pessoas e empresas que acreditem no trabalho da organização e possam, também, ajudar na construção de novas histórias de sucesso.

Referências:

 

MACHADO, Marcelle Branca. Terceiro Setor: Estruturação do Marketing do Amparo Maternal para o Desenvolvimento da Captação de Recursos e Visibilidade da Instituição. São Paulo: Pós-Graduação Lato-Sensu em Gestão de Marketing da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), 2016.

 

MAGINI, Roberto. Nunca Recusar Ninguém. As muitas vidas da maior maternidade de assistência pública do país. São Paulo: Telabrazil, 2010.

Foto da atual fachada do Amparo Maternal

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